"BIOGRAFIA"

"Henrique Lacerda"

 
 

Henrique Lacerda Ramalho, natural de Lisboa, Coronel de Infantaria Aposentado, após passar à reserva, a meu pedido, na promoção por escolha a coronel; tomei parte activa em 3 revoluções: 25Abr74 (anti-ditadura salazarista), 11Mar75 (anti-golpe da extrema direita), 25Nov75 (anti golpe do Partido Comunista); fiz guerra de guerrilha em Angola, onde me iniciei nos "Comandos", quer no deserto do Kalahari, quer nas florestas do Congo (3 vezes ferido em combate); fui professor das forças NATO/OTAN das cadeiras de terrorismo internacional e da de segurança (pessoal, instalações, documentos); professor de segurança pessoal, formado pelo MI6 e Special Branch/Scotland Yard, em cursos de segurança pessoal para a Polícia e Forças Armadas; além de ter realizado a 3ª reunião da ONU em Cascais/Lisboa (com louvor do Vice-Presidente dos EUA, único louvor até aí concedido, nas reuniões antecedentes nos EUA e Alemanha); responsável pela recepção e segurança pessoal de comitivas militares estrangeiras em visita a Portugal, (entre outras, Ceausesco/Roménia, Tito/Yuguslávia, Carluci/CIA, Kalinin/Embaixador URSS, Valentina Tereskova/astronauta, Raul Castro/Ministro Defesa Cuba, Field Marshal Carver /vice rei da Rodésia; reuniões em Portugal da chefia de topo da Nato, etc; instrutor em Angola para o Curso de formação da segurança pessoal do PR Agostinho Neto, no Corpo de Policia de Angola; assessor do EMGFA/Angola por 4 vezes nos anos 90, a seu convite, quando contactei José Eduardo dos Santos/PR; Chefe do Serviço de Segurança do EMGFA/Portugal; depois, por indicação e escolha, Comandante do Aquartelamento e Segurança do MDN e EMGFA; assessor do governador do Rio de Janeiro, Brasil; etc....
Não sou político, vermelho ou direitista... mas sou militar, e como militar, os militares não mentem nem romantizam: são simples, precisos e concisos, como é costume dizer-se: "para militares perceberem"...
Não me considero escritor nem poeta, mas simplesmente um apaixonado pelas História, Letras e Arte, deixando apenas fluir, quando em vez, expressões de sentimentos.
É membro de “Os Confrades da Poesia” – Amora / Portugal 
 
BIBLIOGRAFIA:
 
A PEDRA
 
 
Pedra bruta, pedra bruta,
me diz o que tens para contar!
Tens musgo onde nem o vento sopra,
aresta estéril onde o sol não bate?...
Pedra bruta que me dizes?
Onde a raiz que te faz estalar,
o fio d´água que te faz arrepiar?...
Pedra bruta, te limpo e te faceto,
faces planas, a luz reverberás!
Azuis, vermelhos, amarelos, verdes,
surgem faiscando de teus planos.
Quem diz que não serás cristalina,
pura como diamante ou brilhante,
esmeralda em cor profunda, rubi sanguíneo,
turquesa em marinha cor... ou outras mais?
Procuro em ti, pedra bruta,
o que outros olhos não vêem, nem notam,
ou até pisam e chutam !
Procuro em ti a obra-prima e única!
Procuro... e certamente acharei
a maravilha escondida em teu ser.
Mesmo que nenhuma beleza estranha encontre,
farás parte do muro que construo
ou ficarás numa gaveta íntima guardada,
jóia da inesquecível recordação
desse momento especial
em que te encontrei!
 
Henrique Ramalho - Cuiabá/Brasil
 
 
 
 
INCÊNDIO
 
 
Teu corpo é uma planície africana
onde o capim ondula ao vento…
Tuas chamas alteiam em volutas até ao céu,
cortadas por aves famintas,
e lambem, sôfregas, os troncos erectos
os arredondando…
Teu corpo é meu sonho de primícias,
um sonho todo meu!
Ele tem montanhas
de belos e grandiosos seios,
como se fossem lançados por Deus.
O ventre é um declive harmonioso
rasgado por tenro vale
onde as sementes do meu desejo
se lançam no sonho realizado.
Tuas coxas são como esteiras
se enlaçando forte nos meus rins
como falésias abertas para o oceano,
a fecharem-se depois no auge do conseguido.
Teus lábios são carnudos como suave pêssego
que prostra a minha fome num langor sem fim.
Tua boca é do inferno,
onde todas as ondas se quebram
na espuma do meu longo e penetrante beijo.
Bem queria ter aqui tua boca para beijar…
Seria como ver um incêndio no capim angolano!
É qualquer coisa de grandioso, impossível de descrever,
essa imagem que tenho em memória,
tão coincidente com a que faço de ti!
Será que tu és o nascer do Sol de África?
Um espectáculo de suster a respiração, pois
os olhos não conseguem abarcar todas as nuances de cor
violeta e alegre, púrpura e feliz,
do sair da escuridão para o fascínio do iluminado!
 
Henrique Lacerda Ramalho - Cuiabá/Brasil
ELE E A LUA
 
 
Ele, homem terreno,
de pé no chão, firme ou alcandorado,
muitos vales percorreu,
uns verdes, outros áridos,
cumes de vulcão, cumes de gelo...
Um dia, parou, se sentou,
mão apoiada ao rosto, olhou para o caminho
percorrido e gasto.
Inesperadamente, olhou o céu,
onde a Lua, faiscante, brincava no azul.
 
A Lua, tão distante, tão atraente,
o deslumbrou!
Por dias e noites, seguiu a sua rota incrível,
no meio de estrelas ou na escuridão da noite,
e, fortemente, a desejou!
 
Ele, o duro, o inabalável,
como que tocado por magia, amoleceu!
Sua cara fechada se apalhaçou,
e, devagar, foi construindo a ponte
para o impossível...
Palito por palito, trave por trave,
a ponte foi crescendo, avançando na ligeireza.
Até que a Lua, perturbada, mais de perto o olhou,
sorriu-lhe, e ao ver seu esforço,
se enterneceu, alongou seus raios, e o afagou.
 
Será que a ponte cresceu ou a Lua se aproximou?
Não! Eles se foram atraindo mutuamente...
E quando ele a abraçou, a lua nos seu colo se deitou!
Hoje, toda a escuridão se foi,
ela brilha para ele e ele brilha para ela,
porque...
de luar, a vida de ambos se inundou!
 
Henrique Lacerda Ramalho - Cuiabá/Brasil
 
 
 
 
 
INTERSECÇÃO
 
 
Pela estrada árida, ziguezagueante,
caí em escolhos de silvas espinhosas,
e acidentais miragens de oásis, repeli...
Pela estrada paralela perscrutei
um vulto atractivo e tentador pelo qual fui sentindo
uma indefinida e inexplicável atracção.
De longe, invisível, acompanhei o seu percurso.
De súbito, algo inesperado e insólito aconteceu.
Como se do nada aparecida,
ou deliberadamente exposta por forças ocultas,
escorregadia rampa, uniu nossas estradas,
e esse vulto se me apresentou ao olhar e ao desejado contacto.
Inconfessável, esse amor calado, ignorado,
supostamente inalcançável,
transformou-se numa acirrada e ciumenta paixão brutal.
Mas... por imprevista decisão lançada do Olimpo pelos deuses,
sempre imponderáveis em seus desígnios,
as suas mãos tocaram-se, e as suas almas envolveram-se
numa osmose de pensamentos e anseios,
até que, naturalmente, se viram prosseguindo
numa só via, lisa, sem desvios nem atalhos,
rumo ao destino único, por ambos idealizado.
 
 
 
Henrique Lacerda Ramalho - Lisboa/Portugal
 
 
 

"OS CONFRADES DA POESIA"

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