CIRANDA - "A NOSSA TERRA"

 

 

 

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Extensivo aos Confrades e outros Poetas Amigos!...

 
Os Nossos Confrades Poetas Lusófonos
O Nosso Baluarte "Online" da Diáspora Portuguesa!
Fundado em 01 de Agosto de 2008 - Amora - Portugal
 

Indíce Participativo

01 - São Tomé
02 - Jaime S. Guerreiro
03 - Pinhal Dias
04 - Fernanda Lúcia
05 - Dirceu Rabelo
06 - João Brito Sousa
07 - Alfredo Louro
08 - Ferdinando
09 - Joaquim Sustelo
10 - António Silva
11 - Rosa Silva
12 - Simone Pinheiro
13 - Cândido Pinheiro
14 - Andreia Pinheiro
15 - Marta Rodriguez
16 - Maria Mamede
17 - Suzette Duarte
18 - Maria de Lurdes Brás
19 - Victória Lúcia Aristizábal
20 - Eugénio de Sá
21 - Cambito
22 - Mário Feijó
23 - Manuel Madeira
24 - Luís da Mota Filipe
25 - João Brito de Sousa
26 - Clarisse Barata Sanches
27 - Susana Custódio
28 - Euclides Cavaco
29 - Rosa Dias
30 - José Manuel Cruz Vaz Jacinto
31 - Humberto Rodrigues Neto
32 - Maria Vitória Afonso
33 - Joaquim Evónio
34 - António Vendramini Neto
35 - Natália Vale
36 - Joel Lira
37 - Maria do Céu Moura
38 - Joaquim Evónio
39 - João da Palma Fernandes
40 - Maria Petronilho
41 - Pedro Valdoy
42 - Dilma Damasceno
43 - Pedro Valdoy
44 - Maria Ivone Vairinho
45 - Jorge Vicente
46 - João Coelho dos Santos
47 - João Furtado
48 - Eliane Triska
 
DEZEMBRO - 2010

 

01 - "A Nossa Terra"
(São Tomé-Amora)
 
Terra minha, que ao mundo deste
A ventura de olhar tanta beleza
Do xisto que fez teu solo agreste
E do granito que expele riqueza
 
O Douro, abraçando castos vinhedos
Que crescem nas margens, em socalcos
Leva os sonhos, mas deixa segredos
De vidas que edificam seus palcos
 
Fragas onde à noite se deita a Lua
Ecoam a turbulência do rio Tua. 
Exalando o perfume dos laranjais
 
Os montes protectores altaneiros
Das casas de granito nos outeiros
Mais parecem uns arranjos florais.
 

 

02 - "A praia da minha terra"
(Jaime S. Guerreiro-Lisboa)
 
Sentado na areia da praia
Eu vi as gaivotas voar
A onda na areia desmaia
E recolhe voltando ao mar
 
O vento fresco me batia
Na cara me refrescava
Uma onda vinha e outra ia
E na areia desmaiava
 
Quando alguém mergulhava
Via-se os peixes a saltar
Ali toda a gente nadava
Resolvi também nadar
 
Até conchinhas apanhei
Coisas, me veio á lembrança
Eu até recordei
O tempo que era criança
 
Satisfiz a minha curiosidade
Olhando o mar imenso
Ali matei a saudade
Da praia onde pertenço
 
Para o horizonte me virei
O Sol já ia muito baixinho
Só aí é que eu reparei
Que estava na praia sozinho
03 - "Amora ficou sentida"
(Pinhal Dias-Amora)
 
De elevada estima
Sendo oriundo de Amora
A terra que o viu nascer.
Foi terra de gente nobre
Consagrada e hospitaleira…
Saudoso tempo em que os búzios
Se faziam ouvir…três vezes ao dia!
Nesse tempo uma indústria de progresso,
Que hoje refaz a história de prateleira
Com arquitectura do arremesso.
E tudo isto aconteceu,
Diz o povo que sofreu…
Ditosa é Amora uma terra
Revestida e reflectida,
Com a sua «Frente Ribeirinha»
Sendo ela um braço do Tejo,
Selada como Rainha.
Deixa raízes germinadas ao tema
Define-se «Amorense de gema».
Na Baía o peixe é engodado
Os seus poetas escrevem
Valorizando o nosso Fado…
04 - "A Nossa Terra"
(Fernanda Lúcia-Costa da Caparica)
 
Lisboa, a terra do meu encanto
De ti, tudo recordo saudosamente
Minha casa, minha rua, meu recanto
Onde nasci e vivi alegremente
Não estás longe, depressa te vou ver
Passear por todos os lados conhecidos
Os jardins que atravessava a correr
Os bons momentos ora já vividos
05 - "A Nossa Terra"
(Dirceu Rabelo-Br)
.
Ah! A nossa terra!
Triste orbe de provas e expiações
Só renasce aqui quem erra
Ou vem para resgate em duras missões.
Mas está chegando o momento,
Em que sairemos desta triste posição,
Quando o planeta deixará este tormento
E passará para o posto de regeneração.
Aí sim! Acabarão as dores
Cessarão as doenças
Nunca mais a guerra!
Veremos florescer amores
Unir-se-ão todas as crenças
Esta sim será A NOSSA TERRA!
06 - "A Nossa Terra"
(João Brito Sousa-Faro)
 
É lá que nasci, é lá que estou; é lá ...
Onde recordo o luar mais bonito
É as manhãs de nevoeiro que só há
Na minha terra como se tem dito

Da nossa terra nunca esquecemos.
Pode não se gostar de um vizinho
Mas do lugar onde um dia nascemos
Gostamos mesmo do pior caminho

A nossa terra está sempre ligada a nós
Sentimento também dos nossos avós
Tanto faz seja na planície ou na serra

Eu gosto muito de ti querida aldeia
Sobretudo das noites de luas cheia
O mais belo do mundo é a nossa terra.
07 - "A Nossa Terra"
(Alfredo Louro-Oliveira de Azeméis)
 
‘Stou a ‘screver p´rá Ciranda       
Dos Amigos e Confrades
Que entre outras actividades
A Poesia é quem manda!
 
Desta vez  é terno o tema
Pois fala da “NOSSA TERRA”
Tema que nunca se encerra
Por ser Português de gema!!!
 
Minha Terra é “Gente Boa”
E Terra dos “Coroneis”
Mas eu vim para Azeméis
Tendo  nascido em Lisboa
 
Vir para aqui foi uma opção
De cariz profissional
Minha Terra é PORTUGAL
País do meu coração!
08 - "A Nossa Terra"
(Ferdinando - Germany)
 
Minha terra onde nasci
Onde o sol vem descer:
Posso viver longe de ti
Mas não te posso esquecer.
 
Os teus trigais aloirados
Embalados pelo vento,
São um tapete bordado,
Que alegra cada lamento..
9 -CIDADE DE SILVES... A MINHA TERRA
(Joaquim Sustelo - Odivelas)
 
 Foste em tempos cantada por poetas
E príncipes tiveste no teu seio
Fizeste inveja a muitos lisboetas
Tinhas mais que Lisboa em teu recheio!
 
Pelos comerciantes procurada
E cobiçada pelos inimigos
Tu foste... és do Algarve a mais amada!
De ti há nos "anais" longos artigos...
 
Já se perdem na bruma os teus inícios
Pois és, linda cidade, muito antiga
Talvez sejas do tempo dos fenícios
Como na tua história há quem o diga
 
Que viram dessas várzeas a riqueza
Onde a agricultura se fazia
(O Arade o confirma com certeza
Pois dele para a rega a água saía)
 
Palácios noutros tempos tinhas tantos
Hoje um, mais as ruínas que  apresentas
A Sé e o Município são encantos
Nesse ar de terra nobre que inda ostentas
 
E essa lenda da moira, a encantada?
- Habituada à neve e ali sem ela
A princesa vivia angustiada...
Até que um dia exulta! Da janela,
 
Vê o esplendor da flor de amendoeira
Que o rei mandou plantar, num gesto breve...
Ela a brancura olha,  prazenteira,
Julgando a toda a volta  ver a neve
 
O teu castelo é no Algarve agora
De todos o maior, mais imponente!
Nele as cisternas dos Cães e da Moura
Ligavam ao Arade, conivente...
 
Rio onde a cidade se projecta
Um espelho onde o "presépio" se penteia
E o canto permanece... O do poeta!
O Rio, bailando os versos, serpenteia...
 
A voz de chamamento que se tem
Ao ver-te, Silves, nessa graça linda,
É como que a pedir "venha por bem!
Saudade vai levar, mas volta ainda!"
10 - ESTA TERRA É UM ATRASO DE VIDA
(António Silva - Lisboa)

 

Esta terra é um atraso de vida
Toda a gente chega atrasada
Por aqui que se vê, quase tudo
Porque este país, é quase nada
 
O mal, não é atrasar uma vez
Atrasar um dia ou mesmo dois
O mal, é atrasar todos os dias
Ontem, hoje, amanhã e depois
 
Comprei um carro sem travões
Mas não sabia, que não travava
Quando eu quis parar o carro
É que vi, que o carro não parava
 
Vi a vida, a andar para trás
E o carro a andar para a frente
Se não temos mão nos atrasos
Que vai ser, da vida da gente?
 
Quem se habituou a mentir
E não faz nada para mudar
Mente hoje e mente sempre
E já ninguém o vai acreditar
 
Ter um país, com muitas leis
Não faz dele, mais cumpridor
Como o dinheiro não faz o rico
Se o rico, for grande gastador
 
Quem se deixa atrasar no sono
É porque anda atrasado na vida
Só dorme em pé, quem passou
Uma noite inteira, mal dormida
 
Nos atrasos e na comichão
O mal mesmo, é começar
Coça-se, porque sabe bem
Depois, já não pára de coçar
 
Anda o país inteiro a correr
Mas toda a gente chega atrasada
Só perde quem chega a horas
Quem se atrasou, não perde nada
 
11 - A Nossa Terra
Rosa Silva ("Azoriana")
 
 É com grata satisfação
Que  eu aceito o convite
Inda mais que a Região
Se irmana nesse palpite.
 
Com um cheirinho de mar,
E o verde da paisagem,
Farei com gosto a rimar
Uma virtual viagem.
 
É, sim, o vento que inspira
Os ilhéus e as ilhoas
E nos faz ficar na mira
Da Confraria que ecoas.
 
Do céu vem o nosso encanto,
Das flores nosso perfume,
Com o Divino Espírito Santo
Não virá nenhum queixume.
 
Sou da terra, sou da ilha,
Rendo-me ao tom da maresia,
Faço hoje esta partilha:
Sou «Confrade da Poesia»!
12 - Acorda Brasil !
(Simone Borba Pinheiro - RS / Brasil)
 
Solta da garganta
o grito preso de liberdade.
Faz ecoar aos quatro cantos
deste imenso e ensolarado país,
o clamor de um povo sofrido
que trabalha de sol a sol
para ver sua bandeira
desfraldada com orgulho
no mais alto mastro,
do crescimento económico, cultural e social.
 
Acorda Brasil!
Teu país é terra fértil
onde tudo o que se planta cresce.
Teu povo é bravo, valoroso
e espanta a miséria
com trabalho e dedicação.
Expulsa de teus verdes campos
as pragas que se alimentam de teu suor,
matam a plantação e
não te permitem crescer.
E no exato momento
em que estiveres exercendo
tua cidadania
reflete um pouco,
põe a mão na consciência,
não joga fora a única oportunidade
de dar á essa gente sofrida
a perspectiva de um mundo melhor,
com mais saúde, educação
e muita comida na mesa.
 
Acorda Brasil!!!!
13 - Meu Brasil Verde e Amarelo
(Cândido Pinheiro - RS Brasil)
 
Meu Brasil verde e amarelo
Terra de encantos mil
Pátria mãe brasileira
De um povo forte e varonil
 
Sob um céu de azul anil
Reservas de amarelo ouro
Verdes matas de esperança
Natureza herdada em tesouro
 
És o florão da América
Soberano e imparcial
Braço forte mão amiga
Na defesa nacional
 
Fértil celeiro do mundo
Praias morenas em teu litoral
Pulmão verde do planeta
Flora e fauna sem igual
 
Meu Brasil brasileiro
Em formato de coração
Gigante por natureza
Terra de uma grande nação
 
Encantado Verde e Amarelo
Nem só de futebol e carnaval
Em lindos matizes de cores
Espelhas teu povo fraternal
 
País jovem e bonito
Caras pintadas de simpatia
Recebe de braços abertos
O mundo todo com alegria
 
Bandeira de ordem e progresso
Ao futuro com determinação
Unidos em Liberdade e Democracia
Todos os povos são teus irmãos
 
Meu Brasil verde amarelo
De todos os brasileiros
Te amo de corpo e alma
Ainda que fosse estrangeiro
14 - O Brasil Que Os Brasileiros Almejam
(Andréa Borba Pinheiro - RS / Brasil)
 
Vivo em uma terra de muitos, onde poucos têm o que precisam,
vivo em uma terra onde muito passam fome,
e poucos realizam os sonhos que idealizam.
Vivo em uma terra de várias raças, várias culturas e etnias,
vivo em uma terra de pessoas diferentes,
que lutam por algo chamado DEMOCRACIA.
Vivo em uma terra de fatores positivos e negativos,
os quais, tento mudar com a minha força jovem,
faço planos e me esforço com meus pequenos braços,
e peço a ajuda de vocês, governantes, por favor, colaborem!
Estudo de manhã, e chegando em casa, um almoço gostoso me espera...
Exerço minha cidadania do jeito que posso,
e sonho com o início de uma nova Era.
Porém, sei que nem todos são como eu...
Muitos brasileirinhos não estudam... e passam fome durante todo o dia...
E me revolto ao vê-los jogados na periferia.
Sou dona de um belo sorriso... mas de que adianta, se a maioria dos rostos que vejo, estão a chorar?
Sou dona de alguns bens materiais... mas de que adianta se existem pessoas que não conseguem nem viver, quanto mais, algo comprar?
Brasileiros querem justiça, igualdade de direitos, querem um lugar para viver.
Brasileiros são indivíduos de respeito, e querem ser tratados como tal!
Brasileiros querem educação! Querem aprender a ler e escrever, querem se sentir a par das coisas que acontecem aqui e no mundo!
Mães vêem seus filhos se perderem... pais se desesperam ao perder o emprego...
Brasileiros são um povo sofrido, e mesmo com chuva, continua lutando!!!!
E você? Se é tão brasileiro como eu, por que não faz a sua parte e pára de assistir de camarote?
Por que você não levanta da cadeira e faz parar de escorrer sangue do coração brasileiro, e faz nascer o Brasil que almejamos?
15 - A nossa Terra
(Marta Rodriguez - SP / Br)
 
És tão jovem, bela e rica.
Cheia de vida, és ti, paradisíaca
o nosso primeiro e único nobre abrigo,
eterna serás enquanto os bons estiverem contigo.

Santificada são tuas terras fecundas
que geram e alimentam vidas
mesmo sob todas as nativas injustiças
de teus filhos que os teus tesouros cobiçam...

Quisera fossemos como tu
generosos e gentís, inesgotável fonte de vida
com todas as dádivas que te fora concedida,

quisera não fossemos animais predadores
e de tua vida os sugadores.
Traidores e assassinos de nós mesmos...

 
16 - A minha Cidade
(Maria Mamede – Porto)
 
A minha cidade não se chama Lisboa
não tem cheiro a sul
e nem por ela passa o Tejo
mas como ela, tem Nascentes
leitosos e marmóreos...
na minha cidade os poentes são de ouro
sobre o Douro e o mar
e só ela tem a luz do entardecer
a enfeitar o granito...
na minha cidade, tal como em Lisboa
há gaivotas e maresia
mas não há cacilheiros no rio
há rabelos
transportando néctar e almas...
da minha cidade nasce o Norte
alcantilado, insubmisso
e o sol, quando chega, penetra-a
delicadamente, carinhosamente
depois de vencido o nevoeiro...
na minha cidade também há pregões
gatos, pombas, castanhas assadas e iscas
e fado pelas vielas, pendurado com molas
como roupa a secar nos arames...
a minha cidade tem também tardes languescentes
coretos nas praças
velhos jogando cartas em mesas de jardim
e o revivalismo de viúvas e solteironas
passeando de eléctrico...
é bem verdade que na minha cidade
a luz , não é como a de Lisboa
mas a luz da minha cidade
é um frémito de amor do astro rei
a beijá-la na fronte, cada manhã!...
17 - A Nossa Terra
(Suzette Duarte-Sagres)
 
Terra bendita,
Cheia de graça e beleza,
Sagres está inscrita
Maravilha Portuguesa.
 
Águas cristalinas,
De um azul esverdeado,
São de Sagres lamparinas,
Com o pôr-do-sol dourado.
 
Esta terra Portuguesa cheira a mar,
No som...do vento norte,
E na voz das gaivotas a cantar,
Tem o sol o seu suporte.
 
É na Costa Vicentina a sua flora,
Que ornamenta, o seco solo,
E na voz do Sagrense que a adora,
Dia a dia é um consolo.
 
Ó minha terra,
Maravilha Portuguesa,
Onde é sempre Primavera
Onde o vento é uma certeza.
 
Aqui no Sul,
Sagres não tem par,
Onde o céu é mais azul
E vem beijar o seu mar.
18 - Meu Alentejo Adeus
(Maria de Lurdes Brás - Cacilhas/Almada)
 
Adeus ò casas baixinhas
Das paredes tão branquinhas
E do sol sempre a brilhar
Adeus campos verdejantes
Dessas papoilas brilhantes
Que encantam meu olhar
 
Refrão
 
Adeus Alentejo /Adeus nostalgia
Já vejo a distância
Dessa minha infância /Que deixei um dia
Rebanhos de gado / Rever eu desejo
Matar as saudades
Ouvir as trindades / No meu Alentejo
 
Adeus ò praias tão belas
Planícies tão singelas
De encanto que não tem fim
Adeus ò vales e montes
Ò água pura das fontes
Que saudades, sinto em mim
19 - LA TIERRA, UN CUENTO NARRADO
(Victória Lúcia Aristizábal - Bogotá)
 
Para hacer más hermoso y grande el homenaje
A la tierra, el clima detuvo aquí su ritmo;
Nobles seres magníficos sellaron el abismo
Surgió la gesta milagrosa del ser y su paisaje
 
Soberbia, en la distancia de un gesto de heroísmo
Muestra al mundo su frente de sol, su alto linaje,
Su cita con el cielo, su colmenar, y el viaje
Ese musical de luz, de rito, de ritmo y preciosismo
 
La tierra es un cuento narrado en su espesura
De una gigante noche vegetal, por un brujo,
Excelso en maravillas de miedo y de placer
 
Como un guardián celoso que la pasión indujo,
Su destino renovado vigila en la llanura
Como quién le ha jurado su amor y su querer
20 - Pobre, esta terra nossa!
(Eugénio de Sá - Bogotá)
 
Pobre, esta terra nossa, em que vivemos
Que se contorce em pranto, de doente
E fomos nós que assim a pusemos
Neste aviltar do gesto, tão dormente
 
Queimámos-lhe as florestas e a alma
E  o sangue negro pelas veias lhe sacámos
E ela, pasmada, soube aturar com calma
Todas as tiranias que causámos
 
Do seu ventre materno e exaurido
Abrem-se agora em espasmos as entranhas
Pelas dores causadas, que sente tamanhas
 
E à solta os elementos solidários
Com o sofrimento do mundo sofrido
Choram, com a terra, os seus muitos fadários
21 - MINHA TERRA
(Cambito - Casal do Marco)
 
Luanda me viu nascer
Luinga me viu crescer
Carmona me viu brincar
Luanda me viu estudar
 
Luinga me viu partir
Carmona me viu sorrir
Luanda me viu acenar
Pr’a minha terra voltar
 
Luanda por mim espera
Luinga também desespera
Carmona quase que chora
A minha longa demora
 
Meus olhos rasos d’água
O coração cheio de mágoa
Por esta terra onde nasci
Angola, eu não te esqueci
22 - MINHA TERRA DE SOL E MAR
(Mário Feijó – RS / Br)
 
 Eu quero ter o meu céu azul
Para nas noites de luar
Poder contar estrelas
E no ar molhado de sereno
Sentir o cheiro do campo
E o doce salitre da maresia
Que vem da brisa do mar...
 
Assim é a minha terra
Durante o dia banhada de sol
À noite eu conto as estrelas
No brilho refletido do mar...
23 - Fecundação
(Manuel Madeira – Olhão)
 
 Como quem vai mondando a sementeira
das ervas que estrangulam a raiz
arranco dia a dia desta leira
a dor que se renova e contradiz
 
Terra bravia que só dá escalracho!
Mas não posso fugir à condição
de andar a vida inteira cabisbaixo
plantando estrelas na aridez do chão
 
_ Se nunca ninguém viu flor nem fruto
não sei porque persistes como um bruto
sulcando um ventre que não é fecundo
 
Mas eu não paro nem escuto sinto o rumor
das asas da alegria sobre a dor
florir o amor sobre o ódio imundo
24 - RETALHOS DE UMA ALDEIA
((Luís da Mota Filipe - Montelavar - Sintra)
 
Aqui…
Onde o bom dia baila de boca em boca numa dança natural, as manhãs brindam-nos com a pureza das gotas de orvalho.
Há cheiro a campos viçosos e a perfumes que vivem nos estendais de roupa sempre que se encontram povoados.
Os beirais acolhem sinfonias, anunciando a estação dos amores.
O toque do sino na torre é o orientador fiel para os que andam mimando as suas fazendas.
Diariamente, em cada morada, fumegam iguarias saloias compondo buchas, merendas e ceias.
Postigos gastos são enfeitados com a brancura da arte rendilhada.
O rossio, o mirante, a sociedade, o chafariz, o rio e o poço, são os padrinhos briosos de algumas ruas e largos.
Enquanto os pátios namoram com as travessas e os becos cobiçam as ladeiras, bancos improvisados, aquecidos pelo sol, servem de palco aos temas da vida alheia.
Agosto é mês de branquear casas e muros, para que possam combinar com a pureza dos jardins de fé que se carregam aos ombros.
Neste canto saboreia-se a tranquilidade, respirando-se das marcas seculares.
Nesta terra que beija o céu, os dias morrem mais depressa e as noites nascem mais cedo.
Na aldeia os sorrisos e as lágrimas são comunitários, partilham-se dores e alegrias.
Não se fantasiam sentimentos. Tudo é mais autêntico e a vida brota… ao sabor dos versos apinhados de rimas de verdades.
25 - A NOSSA TERRA
 
(João Brito de Sousa - Faro)
 
A nossa terra está dentro de nós. Já não está  na aldeia, a nossa terra; está agora na nossa memória. A estrada de areia, que atravessava a nossa terra, que todos os anos, no Inverno, a Câmara Municipal mandava remendar com os mesmos trabalhadores, já não é a mesma. É outra coisa. A minha aldeia está dentro de mim, na minha 
memória.
Mestre Joaquim Boeiro que aparelhava o gado à canga, comprado nas feiras de Messines, da Guia ou do Algoz morreu. Mas é bom recordá-lo aqui. Os lavradores iam às feiras da serra ou da meia encosta e compravam dois ou quatro bezerros que nunca tinham feito nada na vida. 
A hora chegou e a bezerrada veio para as hortas naqueles tempos, anos 60. Mestre Boeiro era chamado para dar as aulas à boiada. Amarrava os animais lado a lado e depois ia buscar a canga que colocava no cachaço dos animais. A bicharada revoltava-se e não queria saber daquilo. Era a vez de Mestre Boeiro intervir. Primeiro baptizava-os, tu és o Jacinto e tu és o Marmelo. Quando os tinha dominados, desamarrava as cordas das argolas da parede e, de aguilhada em riste, chamava por eles. Anda Jacinto, vamos embora ó Marmelo. Os bezerros viam-se amarrados à canga 
pelas corneiras e, como nunca se tinham visto numa alhada daquelas, aquilo  era o diabo. Iam pelos caminhos que eles desconheciam, desconfiados e jovens, e demonstravam não querer ir. Mas Mestre Boeiro dominava-os com arte e competência. O pior estava para vir; quando eram jogados à charrua. Vamos embora ó Jacinto, anda lá Marmelo. Na frente, como que  a indicar o caminho, ia eu. E a lavoura lá se fazia.
Morreu agora o Zé Raimundo que era o nosso defesa esquerdo. Tínhamos uma malta jeitosa para jogar à bola. O Cabo jogava no meio campo, ali a meu lado, descalço e era sempre dos melhores. O Agostinho da bomba, enteado de Mestre Boeiro, era o central, mal comparado, mas em força era o nosso Tamanqueiro, campeão em 1923 pelo Olhanense. Pensador de jogo era o Renato e o ponta esquerda era o Rosendo, canhoto de nascimento. Ponta de lança era o João Matias e o camisa sete era o Hermínio, que foi à volta a Portugal, como ciclista pelo Ginásio de Tavira, Louletano e como individual. Uns estão outros já não estão. É por isso que  a nossa terra já não está lá.
Está na nossa memória.
Mas é a nossa terra que trago no coração, sei tudo e vejo tudo da minha terra. Onde andei descalço e reguei o milho, onde criava os pombos, as galinhas  e os coelhos. E a boiada também.
Recordo o Adriano a plantar as laranjeiras. Fazia uma cova cúbica na terra, introduzia-lhe umas alcofas de estrume, dispunha a árvore e voltava a repor a terra. Onde é que aprendeste a fazer isso ó Adriano. 
Por aí, vendo um e outro, dizia ele.
As desfolhadas, as rifas na Páscoa, os bailes ao domingo na Sociedade Recreativa, a festa de dois dias no primeiro fim de semana de Agosto com o Gilberto do conjunto Luz e Vida a vender as ofertas, o Marinho no trompete e vocalista, o filho do padeiro no acórdão, o Mendonça que sabia as datas de todas as Igrejas por onde passava, o Clementino 
Baeta, poeta popular, que no final duma charola em Bordeira, disse esta quadra:

Adeus Bordeira que eu vou
Para a minha terra natal
Tu não sabes quem eu sou
Pouco importa não faz mal.

A minha terra está dentro do meu coração.
26 - A NOSSA TERRA
(Clarisse Barata Sanches - Vila de Góis)
 
Quem há que não goste da terra Natal,
Do lar amoroso, e aonde nasceu?
Tão lindas aldeias que lembram o Céu,
São berços de bravos deste Portugal!
 
Chamava-se Várzea, meu ninho ideal
A terra que brilha e não esmoreceu;
No Largo da Igreja inda não se perdeu
Ameno convívio, grato e natural.
 
A terra saudosa dos tempos de outrora,
De avós e de Amigos que foram embora,
Anseia por ver-nos e dar-nos guarida.
 
É sempre a mais linda e, agarra-se bem
Às nossas entranhas como a terna mãe,
Até que fechamos os olhos da Vida!
27 - Vou te amar sempre
(Susana Custódio - Sintra)
 
Gosto de te ver logo p’la manhã
Irrequieta como uma menina
Não se nota em ti o colossal afã
De todos os dias, igual rotina
 
Com alegria pelas tuas ruas passo
Onde recordo os antigos pregões
Que teimam em marcar o compasso
D’outros tempos, distantes gerações
 
Vou-te amar para sempre: eu juro!
Lisboa, minha cidade amada
Serás sempre o meu porto seguro
 
As Tágides cantam esta balada
O meu amor por ti é tão puro
Renasço em ti a cada alvorada
28 - Natal da Minha Terra
(Euclides Cavaco - Canadá)
 
Conservo em meu coração,
Uma aldeia de Portugal,
Que foi meu berço de infância
E tem tão grande importância,
Nas tradições do Natal.
 
Eu recordo com saudade,
A Terra por mim amada,
Hoje de mim tão distante,
Onde era  significante,
A noite da consoada ...
 
Nesta aldeia bela e simples,
Como é diferente este dia !…
Nele se esquecem ofensas,
Congraçam-se as indiferenças,
Voltando à doce harmonia.
 
Ai que saudades que sinto,
Do Natal na minha aldeia,
Onde ao redor da lareira,
Se unia a família inteira,
À luz tosca da candeia...
 
Como é terno alimentar,
Esta suave lembrança,
Como era o dia de ceia
E o Natal na minha aldeia,
Nos meus tempos de criança !…
29 - As Festas da minha Terra "Campo Maior"
(Rosa Dias - Lisboa)
 
 E com cravos e rosas, com flores aos montões
Se alindam janelas, se enfeitam portões.
As festas do querer, sem o cansaço sentir
Levam meses a fazer, e noites sem se dormir
E numa manhã de Setembro, a Vila acorda mais bela
Com a camponesa sorrindo, debruçada na janela.
E esta vila raiana é enfeitada a rigor
Com lindas flores de papel, e belos poemas de amor
Vêm emigrantes, Espanhóis, Franceses e Ingleses
Gente de todas as raças, às festas dos camponeses
E o forasteiro que entrar, neste recanto florido
Vai na certa relembrar, que o tempo não foi perdido.
30 - MALANGE
(José Manuel da Cruz Vaz jacinto - Casal do Marco)
 
Minha Terra maravilhosa
Minha Cidade de Malange,
Sagrada Capital famosa
Dessas terras de Cassange.
 
Terra de bravos guerreiros
Que o foram e são ainda
De Ngola, do Reino herdeiros
Da grande Rainha Ginga.
 
E nessa Terra Sagrada
Viveu e morreu Honrado,
Quem tudo aos pobres dava:
O Bom " Zé do Telhado"
 
E há um ditado antigo
Que ao som de uma Kissange
diz ao desconhecido:
"Foge que é de Malanje".
 
Malangino não paga renda
Sempre ouvi também falar,
Prefere sua ter a tenda
Do que uma casa alugar
 
Quem corre por gosto não cansa
Isto também ouvi contar
Quem espera sempre alcança,
A Malanje, espero voltar.
31 - ISTO É SÃO PAULO!
(Humberto Rodrigues Neto – SP/BR)
 
 Já lá se vão quatrocentos
e cinquenta e cinco anos
dos primaciais fundamentos
da urbe dos paulistanos!
 
Quem diria que a vã choupana
erguida em solos terréus
se transformaria, ufana,
neste mar de arranha-céus!
 
São Paulo dos imigrantes,
da fé, do suor,  do trabalho,
dos estóicos bandeirantes,
de Bartira e João Ramalho!
 
De Fernão Dias as bandeiras
já pensavam coisas  grandes
ao fincar nossas fronteiras
nos contrafortes dos Andes!
 
Um parque fabril sem par
fervendo, pujante,  ao pé
da agricultura - amplo mar
de algodão, cana, café...
 
Ao Brasil São Paulo abriu
as suas portas otimistas,
mas só a nós Deus conferiu,
a glória de ser paulistas!
 
A garoa é suor que pinga
sobre os campos, sobre a serra;
isto aqui é Piratininga,
é São Paulo, é a minha terra!
 
Esse orgulho que em mim vibra,
cantaria ao grego aulo;
isto é força, arrojo e fibra,
isto é amor, isto é São Paulo!
32 - Vila de Colos
(Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau)
 
 As pedras dessa calçada
Quem as pisou já não pisa
Ó mocidade passada
Que a saudade eterniza
 
É mais ao entardecer
Que a alma dói bem dorida
Ver o dia a fenecer
E saber-te já sem vida
 
Desgostos da juventude
Grandes tristezas de outrora
Uns dias em plenitude
Nos outros, minha alma chora
 
Se não fora incoerente
Muito daria que pensar
Doer a dor bem pungente
E a gente ter de a calar
33 - Saudades do JAG
(Joaquim Evónio - Lisboa
 
Vi-te no céu e nas nuvens
em cascata pelos penedos
do Fanal para a Ribeira
da Janela dos amores.
Foste a firme sentinela
alertando prà beleza
desta natureza ardente
com que escreveste teus versos
e estiveste presente
em cada passo que dei
descobrindo a nossa terra
mesmo à tua maneira
dizendo mais um poema
escrito azul no mar
para diluir a dor
de nunca mais poder ver-te
na nossa bela Madeira.
34 - A MÃE TERRA
(António Vendramini Neto – SP/BR)
 
O Universo caminha em uma escuridão sem fim
Na trajetória das galáxias, giram cometas e planetas
Nasceu à via láctea, com um sistema solar espetacular
Deu origem à vida na terra, transformando-o em um planeta azul
Vivemos aqui com os encantos da natureza
Transformando tudo em sementes, que dão os frutos
Da vida, do amor, tudo com à eterna beleza.
35 - "ANGOLA, UMA SAUDADE"
(Natália Vale - Porto)
 
Na Caála eu nasci,
Nova Lisboa conheci,
Em Camacupa eu cresci,
E Silva Porto percorri.
 
Ao Lobito vim parar
Para nele estudar,
E também namorar,
Para mais tarde casar.
 
Catumbela era mesmo ali ao lado,
Logo a seguir vinha Benguela,
Na Baía Farta, andei a nado,
E a Baía Azul, de Angola a mais bela.
 
Luanda, sua capital,
Cidade imponente, magistral,
Com seu forte intemporal,
E uma praia divinal.
 
Novo Redondo, Gabela,
Quanza e Porto Amboim,
Qual delas a mais bela,
Em Angola tudo era assim.
 
Moçâmedes ou Sá da Bandeira,
A Sul as vamos encontrar
Delineadas de uma maneira,
Que não se lhe descobre um par.
 
Para poder reviver,
Os lugares que conheci,
Muito tinha que escrever,
Mas vou ficar por aqui.
36 - COMO VAIS, TERRA NATAL?
(Joel Lira – Amora)
 
Eu nasci na bela Freguesia d' Amora,
banhada pelo Judeu, onde eu brinquei,
e na escola onde aprendi ainda mora
todos os passos de criança que eu sonhei!
 
Via crescer a cada passo do meu passo.
Em cada olhar meu, vejo em ti recordação.
Trago comigo um anel, um lindo laço
pregado à alma coladinho ao coração!
 
 
Hoje, és a maior cidade deste Seixal,
e da história que criaste quem se esqueceu?
Amora, comeram-te o fruto natural...
 
Mas os Homens que te recordam como eu,
falam das pegadas deixadas noJudeu,
e todos dizem: Como vais Terra Natal?
37 - A MINHA TERRA
(Maria do Céu Monteiro C. Moura – V.N.Gaia/Porto
 
 
Bordada pelo mar
Forrada pelo pinhal
Perfumada pela mística da junção
Terra/mar
 
Minha terra foi a corte da Graça
Com seu ar misterioso
Assim ficou Cortegaça…
38 - MAR
(joaquim evónio - Lisboa)
 
nasci numa ilha
a minha terra é o mar
a brisa e o vento
tornando pandas as velas
do nosso contentamento

voltei ao meu cais
mas apenas de passagem
não demoro mais
tenho de seguir viagem
pois assim vive um arrais

foi bom navegar
trespassando horizontes
lançando as pontes
dessa linha virtual
para as terras do além
39 - A Nossa Terra

(João da Palma Fernandes – Portimão)

 
Vejo nesta Avenida…
Na cidade de Portimão
O arvoredo sem vida
Num aspecto de desolação!
 
 
In “Vem aí o Janeiro”
40 - Minha Lisboa
(Maria Petronilho – Almada)
 
É uma cidade ancorada
talvez fosse uma jangada
É uma cidade tecida
de ruelas e escadinhas
unindo as sete colinas

É um bordado de pedra
onde o coração flutua
cintila entre mar e Tejo
onde se enleia e espelha

onde terra, mar e céu
se casaram, nasci eu
e ainda que sendo dela
ergo os estendais qual vela
e adentro como asa branca
a aura de céu cor de rosa
buscando outra ventura
 
41 - Aldeola
(Pedro Valdoy – Lisboa)
 
 Os vidros da minha aldeia
por paredes caiadas
no vislumbre sereno
de uma casinha pura
 
Ruas serenas na lonjura
da cidade caída
por planícies verdejantes
no poço dos montes
 
Vestes limpas impecáveis
na solidão de um domingo
despejam no pátio da igreja
na reza de ingenuidades
 
Os garotos saltitam
por ruas soltas de inocência
no badalar dos sinos
por pecados ignorados.
42 - DECLARAÇÃO AO MEU PAÍS...

 (Dilma Damasceno – Br / Lisboa)

 
… E declaro ao meu País,
tão verde... tão amarelo...
tão branco... e azul anil...
tão colorido... e tão belo...
terra de gente feliz!...
Brasil do sol, e do sal,
do samba, e do carnaval,
do futebol “nota mil”:
Sob um céu ocidental,
sinto o ar primaveril
que embala o Rio Tejo,
e perfuma o Alentejo!
Sou louca por Portugal!...
Mas, não te esqueço, Brasil!
 
Brasil, de praias festivas...
do progresso que não pára...
Brasil, de paisagem rara...
de colorações bem vivas...
 
Brasil, da exportação
do “ouro negro”: - petróleo;
do “ouro branco”: - algodão;
e do ouro garimpado!...
Brasil, - produtor de óleo!...
Brasil, criador de gado!
  
 Brasil, - do arroz, do feijão;
do cacau e do café;
do gostoso acarajé;
da boa carne, e do pão!...
 
Brasil, do gás natural.
Em terra e mar, - atuante!
E de presença marcante
no programa espacial!

Brasil dos frutos do mar,
e das delícias da terra!...
Brasil, que no seio, encerra
um permanente sonhar!...
 
Brasil, - País do futuro!...
Hospitaleiro... atraente...
chamativo e envolvente!...
De clima bom e ar puro!
 
Brasil, da soja... do milho...
dos sabores tropicais!...
Cheio de graça e de brilho...
e de muitas coisas mais!
 
Ah, meu País luminoso:
A terra lusa, é formosa,
cativante... gloriosa...
e tem povo generoso!
 
Em Portugal, sou feliz!...
Tenho amor, tenho carinho;
um aconchegante ninho!...
E meus castelos, refiz!
 
Portugal tem um perfil
simplesmente, encantador!
Mas não esqueço o sabor
do teu “tempero”, Brasil!
43 - Minha Rua
(Pedro Valdoy – Lisboa)
 
 Na minha rua viela ou beco
as sombras do passado
passeiam alegremente
na calçada batida por pesadelos
Na minha rua viela ou beco
estremecem as nuvens
levadas pelo vento
pelos beirais dos telhados
Talvez na rua viela ou beco
transpareça a sinceridade
do amor a dois no isolamento
de promessas esquecidas.
44 – VARANDA DOS CARQUEIJAIS
(Serra da Estrela)

(Maria Ivone Vairinho – Queluz)

 
Vem comigo à minha Terra
Não te demores, anda
Sobe o caminho da Serra
Pára na sua Varanda.
 
Na imensidão que acalma
Sente a presença de Deus
Sacia de infinito tua alma
De luz enche os olhos teus.
 
Na concha da tua mão
Recebe a água purificada
Que cantando nas quebradas
Traz da Serra o coração.
 
Vê a grandeza dos montes
Recortados no horizonte
Os ribeiros e o rio
O multicor casario
Vê pastos a verdejar
Cerejeiras a nevar.
 
Sente o perfume da aragem
Doce e selvagem
Dos pinheirais,
Rosmaninho, tojais
Carquejais.
 
Vê um nascer do sol
Todo a ouro pontilhado
Vê um poente de fogo
Em puro cobre lavrado
Vê surgir o luar branco
Em prata cinzelado.
 
Depois, diz comigo uma oração
Porque Deus por aqui passou
Nesta Varanda descansou
No milagre da Criação.
45 - Vila Nova de Foz Coa
(Jorge Vicente – Suíça)
 

 

Vila Nova de Foz Côa,
Terra linda hospitaleira,
Tu tens um Museu que ecoa,
É tua nova bandeira!
 
Tens tudo quanto precisas,
Para quem te vem visitar,
Sabes fazer as conquistas,
E no altar as consagrar.
 
Com tuas amendoeiras,
Teus frondosos olivais,
Das tuas terras brotadas,
Onde há soberbos vinhais.
 
Foi o Paleolítico, no fundo,
Que mais te tornou famosa,
Ao mostrar a todo mundo,
Que foste sempre formosa!
 
Vila Nova de Foz Côa,
Tens o condão de receber,
Em terra de gente boa,
E o melhor pra oferecer!
46 - A minha terra... é Portugal
(João Coelho dos Santos – Lisboa)
 
PORTUGAL DESPERTA

Onde está o pregão,
grito colorido e vivo
deste povo?

Onde está a alegria,
a garridice, a meninice,
a cor, a fantasia
da minha Cidade?

Portugal é uma teia.
Memória de agora
ou já calcinada?
É simples ideia que aflora
e regressa ao Nada.

Como mulher enamorada,
vive veloz o seu sonho,
triste ou risonho.

Portugal.
Prisioneiro voluntário de seus pesadelos,
é desdém de pássaros, túmulo de pombos
e de tantos miseráveis aos tombos.

Profecia de oráculo:
Portugal há-de voltar a viver,
Sente-se a ânsia de renascer.
Vencerá mais este obstáculo.
O fermento leveda, lento.

Alerta! Alerta! Escuta,
escuta a voz do vento...
É Portugal que desperta!

(in: Coisas do Amor)
47 - Minha Terra Minha Ilha
(João Furtado - Praia / Cabo Verde)
 
Andei-te a pé de uma ponta a outra
Conhecia todos que em ti morava
E a noite tua calma vida eu namorava
Como minha Ilha não existe outra!
 
Bela terra única no mundo, meu amor
Pobre e atrasada e tão isolada
Tu minha Ilha do mundo esquecida
No meio do mar perto do Equador
 
Quantos anos passados sem te ver
Quanta saudade e quanta lágrima vertida…
Por ti meu Príncipe, quanta imaginação tida
E contida pela distancia e sem me conter …
 
Poema este para ti minha terra faço
Nesta quadra de Natal do Cristo
Tu Príncipe há muito por mim não visto
Quero enviar-te, minha Ilha, minha Terra um abraço!
48 - Pátria Sul
(Eliane Triska – RS/BR)
 
Passas no mar dormida
Por mãos teu berço embalado
Da gentil Alma querida
Que alimenta este  pago.
 
Plantada a tua semente
Ao solo, o ventre bravio 
Com suores da tua gente
Que regam esse plantio.
 
Acorda! Sê a diferença!
Que marca em teu herdeiro
Um coração de nascença
Desenhado no Cruzeiro.
 

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